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	<title>Pessoal &#8211; Birmann S/A Comércio e Empreendimentos</title>
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	<title>Pessoal &#8211; Birmann S/A Comércio e Empreendimentos</title>
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		<title>Verso e Reverso</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/verso-e-reverso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:41:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[Aqui me vejo falando em versos, mas na real estou versando sobre o reverso de tudo um pouco, muito louco, o que se é muito não deixa de ser pouco. Atrás desse nevoeiro espesso, vejo a cegueira mental, bobeira geral, sem igual, nem fim nem começo, só tropeço; nós com canga imunda, barafunda assolando nosso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Aqui me vejo falando em versos, mas na real estou versando sobre o reverso de tudo um pouco, muito louco, o que se é muito não deixa de ser pouco. Atrás desse nevoeiro espesso, vejo a cegueira mental, bobeira geral, sem igual, nem fim nem começo, só tropeço; nós com canga imunda, barafunda assolando nosso mundo. Confuso não sei se vi real ou era a imagem espelhada, invertida, vida perdida onde o valor de face nem dá as caras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tenho dificuldades para ler nas entrelinhas, a sutileza escapa a minha alma bruta, talvez por isso anseia tanto por uma prosa clara, vazia de ambiguidades. Todo interlocutor deve expor a que veio, identificar-se, esclarecer a procedência do interlocutor, identificar suas circunstâncias históricas, intelectuais e até, ou principalmente, materiais. Portanto vejamos: &#8211; Sou um liberal, melhor dizendo, um libertário. Liberal é um cara de ar preocupado, vaticinando sobre tudo com sua fala mansa com um copo de whisky na mão. Libertário é um cara descabelado, suando e berrando ao defender ideias que todos parecem estar contra. Tantas contradições se refletem no fato de que este é primo daquele outro, o anarquista, que sempre foi irmão do comunista, seu oposto. Libertário, nove entre dez vezes, é um capitalista sem capital, mais vocação do que condição. Sou um capitalista com capital insuficiente, lutando para corrigir essa deficiência; um especulador imobiliário com enorme amor pelas cidades e pelo espaço público. Um desalmado com coração mole.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou também um conservador, pois acredito que milenios de historia, vivido por  gente pensante produziu valores e formas sociais que merecem ser respeitadas e seria muita arrogância nossa, desfazer tudo com “ideias novas”.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo me explicado, como que pedindo perdão antecipado, me sinto livre para prosseguir. Vamos falar sobre as cidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cidades são sem dúvida das maiores obras da humanidade, são obras sem autores, emergem da ação dos homens, mas não de nenhum homem, apesar da arrogância destes, ou devo dizer, dos arquitetos, sempre se fazer presente. E veja que isso não é algo recente ou atual. Existe desde tempos Bíblicos, a história da Torre de Babel, uma das primeiras tentativas de construir uma cidade divina (Apesar de ateu, tenho profundo respeito pela sabedoria da bíblia). Naquele relato, os homens, com a soberba dos ignorantes, querem se igualar a Deus, construindo uma cidade que alcançasse aos céus, construindo arranha-céus, como hoje. Engraçado, não é? Babel virou sinônimo de balbuciar (em várias línguas), expressar-se sem fazer sentido. Qual melhor definição para urbanistas do que “querem ser deuses”? Essa praga bíblica parece que ainda ataca os modernos construtores de cidades. Eles nem imaginam como são antiquados. Uma lição já antiga para aqueles que se pensam revolucionários ao destruir o passado para construir o futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito de nossa discussão a respeito das cidades gira em torno de sua criação ou como dissemos &#8211; “planejamento”. Quando nos deparamos com qualquer problema na cidade, logo dizemos – “Foi tudo feito sem planejamento”. “Tem que haver maior regulamentação”, “Não se pode deixar esses capitalistas selvagens, construtores desalmados, egoístas” conduzirem o processo. Quem são esses malvados? Normalmente são os incorporadores imobiliários ou construtores, tremendos FDP’s. Únicos a obter um índice de desaprovação maior do que estupradores e assassinos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazer uma “cidade que alcance os céus” é objetivo latente de todo arquiteto urbanista que se preze. E, nesta nossa pequena conversa, não vamos esgotar tão vasto assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas gostaria de chamar a atenção para alguns aspectos desta discussão na qual a verdade, muitas vezes, se esconde atrás do seu avesso, e o vice-versa chega a ser versa-vice. Nesta conversa vou usar aquele truque do Judô – usar a força do oponente, e, antes que me ataquem, já vou dizendo que só vou falar clichês. Assim nem percam tempo criticando, chamando minha fala de clichê. Por outro lado, faço isso pois as posições dos modernistas são tão fracas que até com uma mão só posso derrubá-los no chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes a “diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dosagem. Uma certa dose cura, outra maior – mata”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poderia falar que “não existe free lunch”, mas até a esquerda já repete a frase como se tivesse já apreendido isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também a “Lei das consequências imprevistas” e se existe algo que as leis falham, praticamente toda vez, é em prever todos desdobramentos de suas aplicações, anos depois de serem mal escritas. Ainda mais em cidades, a mais complexa das construções. É mortal. É só observar os efeitos das normas de gabarito, aproveitamento, recuos, insolação e ventilação, regras que certamente acabaram com o urbanismo. E a proibição de construção nas áreas de mananciais? Produziram as maiores favelas de São Paulo, comprometeram nossa sustentabilidade hídrica e destruíram a possibilidade de São Paulo ser uma cidade cercada por lagos. E as restrições e exigências mínimas em loteamentos ou habitações populares? Acabou com qualquer possibilidade de oferta de habitação para baixa renda, gerando imensas favelas em todo Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O caminho do inferno está pavimentado com boas intenções”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vejam aquele ditado carola, mas bem aplicável nesses assuntos: “Pior cego é aquele que não quer ver”. É super clichê, mas também super presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como vocês, que não são cegos, podem ver, qualquer um pode ser um urbanista desde que repita alguns bons e velhos clichês. Esta minha visão, usando aquele xingamento que arquiteto adora, é um “pastiche de clichês”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses clichês, vocês podem ver como nada é o que parece e que tudo está do avesso. A resposta é o reverso do que se está falando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é realmente uma discussão de cegos, surdos e mudos. Pessoalmente, gostaria de uma ótica menos programática e mais pragmática, com análise de custo benefício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, nosso Brasil é um dos países mais urbanizados do mundo e nossas cidades estão doentes, talvez porque nossa sociedade esteja mal de saúde. Nós vamos ter que consertar uma para curar a outra, sem “jogar o bebê fora junto com a água suja”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gosto muito de uma frase de alguém que não era nem arquiteto nem urbanista – Winston Churchill &#8211; “Moldamos as cidades e estas depois, nos moldam”. Ele falou em inglês é claro, mas a tradução seria mais ou menos isso.  Podíamos dizer que nossas cidades são fruto de nossa sociedade, e sua “</span><i><span style="font-weight: 400;">malaise</span></i><span style="font-weight: 400;">” é, ao mesmo tempo, o resultado e o sintoma da nossa sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por enquanto, continuamos a ouvir quanto necessitamos urgentemente de um pouco “mais do que já não funcionou”, agora sim, agora vai resolver.  Ouvimos todo dia que necessitamos de mais planejamento e mais regulamentação, quando o que há é excesso de mau planejamento baseado em conceitos mal elaborados, sem críticas aos resultados práticos, únicos juízes do acerto daquela proposta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desejo de “planejamento” deve ser atávico, vício de pensamento, cultural. Gosto de uma provocação que me parece bastante elucidativa. Sempre pergunto: Você é criacionista ou evolucionista? Eu, da minha parte, sou evolucionista. Acredito que a vida surgiu na Terra, mas por um processo de seleção natural &#8230;. e evoluiu até chegar aos dias de hoje. Até gosto da história da criação como contada no Gênesis, como parábola, ou&#8230; não como fiel descrição apesar de todo respeito que tenho pela sabedoria das religiões.  Imagino as cidades crescendo como um organismo vivo, sem um “inteligent design”, fruto da ação de milhões de indivíduos e não uma colmeia controlada por uma zelosa e mal-humorada abelha rainha. Pensem nisso: muitos aceitam o evolucionismo como gerador da infinita diversidade da natureza, das fantásticas formas de vida, e mesmos dos fantasticamente complexos corpos humanos, tudo criado a partir dos princípios do evolucionismo darwiniano. Mas&#8230; as cidades não! Estas precisam de um deus criador, um “inteligente design”. E o supra sumo do ridículo é, ainda mais, aceitarmos como deus não um ser onipresente, perfeito, de amor e sabedoria infinitos, não, aceitamos um burocrata, frustrado e ressentido para nos dizer o que podemos ou não fazer em nossas cidades. É mais do que algo atávico e cultural, é psicótico.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou totalmente contra a visão ideológica, imobilizada em conceitos ultrapassados, que cria focos distorcidos – como toda discussão sobre a divisão entre o espaço público e espaço privado, se é espaço de propriedade do governo ou privada. Essa distinção é pertinente para esclarecer que os que tem a “mão na coisa pública” deveriam saber que aquilo não é seu, “privado do seu bolso”. Mas essa dicotomia posta na discussão dos “espaços” é completamente idiota.  Essas preocupações se tornaram fetiche ideológico, cego à essência do problema. Ou aquela outra expressão repetida até a náusea – “está ocorrendo a mercantilização do espaço e das funções da cidade”.  Essa pressupõe que o governo, ente supremo da benevolência desinteressada, deva construir as cidades e assim o faria com sabedoria e perfeição. Pode haver algo mais imbecil? Também gostaria de reduzir o absolutismo dos valores &#8211; O “Verde” é o único Deus e todos têm que adorá-lo, e ainda mais com uma fé inquestionável, afinal a razão deixou de ser necessária nesses tempos pós-modernos. Existem inúmeros conflitos entre o “verde” e o “urbano”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gestão e lucro. Outro conceito invertido &#8211; O individual contra o social. Mais um mito incongruente que não suporta 15 minutos de análise factual. Na verdade, essas questões só refletem a ojeriza dos ressentidos contra tudo o que é privado, individual, concreto, de carne e osso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos Indivíduos e não precisamos abrir mão de nossa identidade individualidade para viver em sociedade. Ser individualista não quer dizer que vamos sair nos matando uns aos outros por um “lucrinho a mais”. Psicopatas fazem isso, não porque sejam individualistas, mas porque são psicopatas!! Indivíduos têm consciência, pensam por si mesmos e buscam o sentido em suas vidas através dos valores de nossa civilização. E como indivíduos, há milhares de anos, buscando o interesse próprio, optamos pela divisão do trabalho, pela interação em relações voluntárias e pelo desejo de buscar um mundo melhor, e, para tanto, escolhemos viver em sociedades, viver em cidades,  sem precisar de abdicar de nossa integridade individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece com as cidades hoje? Como entender “o que está aí”, como dizia aquele querido molusco. É a herança maldita de anos de “planejamento”. A falta de planejamento e regulamentação é pura lenda urbana. O que houve, sim, foi planejamento errado, excessivo, contraditório. “Precisamos de mais regulamentação”. Será? O aprendiz de feiticeiro não quer apenas superar o mestre, mas, impávido sobre os erros do passado, segue querendo ser Deus, construindo nos céus novos “mundos perfeitos”. Apreender com a história é coisa para “pobres mortais”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, podemos ter cidades sem planejamento? Mais uma vez é a questão da graduação. Tudo requer algum planejamento. Até atravessar a rua envolve planejamento. Mas não é por isso que vamos regrar as atravessadas de rua dos próximos 10 anos. Os eventos, as intervenções, as ações têm que ser planejadas. Se vou abrir uma rua, tenho que planejar com vou construir a tal rua, se vou fazer um prédio, de cinco andares que seja, tenho que projetar, planejar as fundações, a estrutura, os acabamentos. Tudo envolve um planejamento. O que não é possível, nem desejável é planejar com dez ou vinte anos de antecedência todas as ruas ou prédios que ainda vou pensar em construir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito desse planejamento, é frutos de conceitos e ideias lá do século passado. Ideias do Taylorismo e Fordismo e da eficiência industrial aplicadas a ordem urbana. Casas deveriam ser “máquinas de morar” e um novo homem iria morar nessas “maquininhas”. Só não perguntaram se ele, o tal homem,  queria. Presunção fascista e absurda, e o pior é que ainda idolatramos quem falou essas baboseiras. Graças a Deus, Le Corbusier não conseguiu destruir Paris, como era sua proposta do “Plan Voisin”, nem o Rio de janeiro nem inúmeras outras cidades. Mas se “Deus Corbu” não conseguiu criar sua brilhante Ville Radieuse, sem antes destruir o que séculos haviam construído, claro, não se preocupem, seus profetas Oscar e Lúcio, conseguiram emplacar Brasília e fazer de todos mo Brasil de ratos de laboratório ao implantar onde possível as ideais de matar o passado, arrancar raízes, extirpar&#8230;&#8230; A frase que eu amo odiar é aquela que Corbusier disse e Lúcio Costa repetiu e abraçou – “&#8230;quero destruir a rua, pois ela é feia e suja”.  Mas não foi só Brasília, mas todo brasil que essa praga contaminou. Todos esses conceitos de cidade jardim, sem rua e sem gente, da baixa densidade, bucólica, de fantasias de um passado imaginário de uma vida do campo que nunca existiu, reações mais distorcidas ao Iluminismo, permeiam as cidades do nosso Brasil. Também são reações aos problemas, temporários, diga-se de passagem, das cidades da revolução industrial, lá do começo do século 19. Quase dois séculos se passaram, e até hoje essas ideias ainda permeiam nossa cultura urbana, pelo menos até ontem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que aconteceu foi mais ou menos o seguinte: os arquitetos, se achando profetas messiânicos, caminhando na direção da terra prometida, iriam mudar o mundo e, deslumbrados com as “novidades” da modernidade de 1900, eles acharam que já sabiam como. Seria um mundo lindo, higiênico, sem ruas sujas. Cidades seriam desenhadas com grandes jardins, digo, grande gramados estéreis, e uns poucos prédios “muito altos” – “Torres de Babel” –, finalmente tocando os céus. Nós andaríamos em maravilhosos carros a altas velocidades, em avenidas “sem cruzamentos”, atravessando um mar de nada mas  cheio do maior tédio existencial desses visionários. Mas não só com carros eles sonhavam; sonhavam também com aviões, com os quais voaremos de prédio em prédio. Pena que a indústria da aviação não foi tão eficiente quanto a maldita indústria automobilística, o que acabou frustrando a chegada ao mundo de Flash Gordon.  Nas cidades das utopias, tudo seria perfeito. Os homens seriam todos iguais, morando em idênticos apartamentos fabricados em concreto pré-moldado, produtos das linhas de montagem das fantásticas indústrias do início do século. Ford, como o profeta Moisés, abriria as águas no caminho do futuro, que já estava “ali na esquina”, no começo do século XX.  Na pressa de chegar ao futuro, os modernistas “jump to conclusions”, e na soberba de desprezar a história, projetaram um futuro com conceitos ultrapassados, destinado a uma caducidade precoce, ultrapassados e arruinados muito antes de serem antigos. “Apressadinho come cru”, outro clichê que não mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A visão de baixa densidade, do automóvel, sem rua, “top down” sem nem pedir desculpas, permeou nosso urbanismo e nossas leis de zoneamento, e somado à explosão populacional e o crescimento explosivo das cidades no século 20, resultou no caos atual. O Brasil em 1950 tinha 50 milhões de habitantes majoritariamente vivendo no campo e hoje temos mais de 200 milhões, quase 90% dos quais nas cidades, ou seja, nossa população de citadinos passou de uns 5 milhões para uns 160 milhões, umas 30 vezes em 60/70 anos.  São Paulo em 1900 tinha 240 mil habitantes; em 1950, 2,5 milhões e hoje quase chegamos a vinte milhões. E além desse incremento exponencial houve também a mudança de rural para urbano, potencializando ainda mais os efeitos. Em 1900 tínhamos menos de 10% da população vivendo em cidades e hoje chegamos a quase 90%. O desafio estava acima de nossas capacidades. Os incorporadores, na sua ganância simplória, executaram o que os arquitetos desenhavam dentro das leis que outros arquitetos e burocratas escreviam. Tudo baseado em um modernismo pueril, pretensioso e fascista na sua falta de humanidade e liberdade, deslumbrado em meio a uma economia que nunca chegou a ser totalmente capitalista que eles nunca entenderam. Toda essa conversa velha de quase 200 anos parece totalmente fora do tempo e do espaço. Démodé, não é? Um assunto superado, já me disseram muitos arquitetos. Não, não é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recorro novamente a sabedoria da religião – “perdão só para o arrependido”.  Como vamos poder consertar o errado sem saber “o quê” estava errado? Sem diagnóstico não tem prognóstico. É questão de integridade intelectual e raciocínio lógico. Tem que haver arrependimento e tem que ser sincero senão não há perdão.  Eu não vejo nenhuma autocrítica&#8230;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gosto de ler pessoas de quem discordo. Parece coisa de masoquista mas aprendo tanto lendo eles como lendo outros mais alinhados comigo mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Extraí algumas frases, só para mostrar como, hoje, viseiras são “a última moda” em óculos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não podemos nos iludir: as metrópoles não são caóticas por nada. Essa é a lógica do capital: causar o desequilíbrio do tecido urbano, esse caráter físico espacial para perpetuar a opressão sobre os outros. O caos é muito bem planejado. ”  “&#8230; as metrópoles foram construídas de forma estúpida, dentro de um modelo mercantilista e rodoviário sempre em torno do exército industrial de reserva, promovendo o desencontro e o medo”. Alexandre Delijaicov, professor dando aulas há 15 anos na FAU/USP</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Será que ninguém explicou a esse apóstolo do obscurantismo que o mercado do conhecimento exige mão de obra treinada e altamente qualificada? Empresários ganhando dinheiro com o caos? Esse discurso está mais para medieval do que modernista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Devido à desregulamentação das políticas públicas e o assédio das multinacionais, o capital já transformou serviços públicos, como saneamento, transporte, coleta de resíduos, iluminação, tudo mesmo, em mercadoria. Política urbana é desenhada pelo clientelismo e pelos capitais que tomam conta da cidade” Ermínia Maricato livre docente em arquitetura e urbanismo da FAU /USP.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Realmente? Nós que vivemos a privatização da telefonia, das rodovias e dos aeroportos concordamos com isso (????).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“É preciso redesenhar as cidades&#8230; precisamos ouvir a população e a universidade para assim representar o anseio popular &#8230;” Ciro Pirondi, arquiteto ex-presidente do IAB.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Errar é humano, mas repetir o erro é burrice. Esse aí não se conforma com os erros já realizados. Exige direito adquirido de continuar errando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra frase de uma das nossas lumiares do urbanismo:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“O direito à moradia é absoluto. O direito à propriedade é relativo”. “Nossas cidades são um grande negócio na mão de poucos. Ou seja, lobbys muito bem organizados funcionam para levar a cidade para um caminho que não beneficia a maior parte da população. ” Ermínia Maricato, é mais uma dessas que pretendem ser um farol iluminando tudo, mas é só mais um poste atrapalhando a vista.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu imagino que um pouco de pragmatismo de mercado poderia ajudar nossas cidades. Engraçado como os arquitetos no seu discurso insistem em dizer que o pensamento deles tem que lutar contra a visão hegemônica do liberalismo. Será? Qual o pensamento realmente dominante?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que vejo é um bando de pretensiosos, arvorados em enunciados furados, empolados, carregados de ressentimento, distorcendo a verdade para continuar com sua cantilena de sereia, querendo enfeitiçar a todos, para levá-los mais fundo no buraco que eles mesmo cavaram, que negam que cavaram enquanto continuam cavando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É mais honesto meu pastiche de clichês, minha ignorância sem pretensão ou falsa erudição, acendendo uma vela para encontrar uma saída do que a certeza rebuscada dos cegos tapando o sol para não ver o caminho errado, como se escuridão fosse ajudar na busca. O verso do reverso, em prosa senão em verso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O discurso da luta de classes, contra a propriedade privada, da mais valia estava errado em tudo&#8230;Difícil imaginar que  vai estar certo no urbanismo&#8230;. Vamos sair dessa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos pensar cidades que não briguem com liberdade, individualismo, propriedade privado, livre iniciativa, de mercado, de relações voluntárias. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Seria Filantropia?</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/seria-filantropia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:37:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[Há 23 anos, através da Fundação Aron Birmann, mantendo um parque público, e sempre sou questionado a respeito de minhas “reais” motivações. “Qual a razão de fazer a gestão de parques públicos por meio de entidade sem fins lucrativos, sem interesse econômico? O que se esconde aí, o que está por trás?” Minha mãe, absolutamente]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Há 23 anos, através da Fundação Aron Birmann, mantendo um parque público, e sempre sou questionado a respeito de minhas “reais” motivações. “Qual a razão de fazer a gestão de parques públicos por meio de entidade sem fins lucrativos, sem interesse econômico? O que se esconde aí, o que está por trás?”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Minha mãe, absolutamente lúcida aos 86 anos, me diz toda vez que nos encontramos: “Rafael, esse assunto de parques só vai te trazer trabalho e problemas. Vai cuidar dos teus negócios que eles estão precisando”. Quando minha mãe fala, é bom você refletir, porque a velha tem uma intuição sobrenatural. Acerta tudo, sempre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que existe por trás disso, qual a razão do meu interesse? Posso dizer o que não é. Não é, como muitos dizem naquela frase &#8211; “Faço para devolver a sociedade o que recebi “. Nunca tomei nada indevidamente para ter que devolver. Devolver é para quem pegou sem pagar. Nunca fiz isso. Agradeço, sim, ao meu pai, a quem devo tudo o que sou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando a questão &#8211; Por quê? Creio que começa por meu acreditar nas cidades. Nós não apenas vivemos nas cidades, nós florescemos nas cidades. Elas são o meio ambiente dos humanos. Somos indivíduos, mas só prosperamos em sociedade. É nas cidades, onde o caos, provocado por muitas pessoas concentradas em pouco espaço físico, catalisa reações, interações e conexões. Nessa massa crítica da demanda e da oferta que só a densidade cria, nesse caldeirão de oportunidades que brota das interações, somos mais criativos, mais produtivos, mais livres, mais do que a soma de cada um e cada um mais do que poderia ser sozinho. E ainda por cima, somos mais felizes imersos na multidão das cidades. Acredito nas cidades, acredito nos homens e acredito em um futuro melhor, urbano, humano, equilibrado e, por que não, feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cidade é essa fantástica criação sem criador, esse fruto de um caldo evolutivo sem “inteligent design” e muito menos “bureaucratic design”. É a maior criação dos homens, mas não é criação de homem nenhum, muito menos de um acadêmico ou arquiteto cheio de certezas, com verdades de um shelf life de bananas. Cidades são o resultado da poeira dos séculos, dos caminhos no barro, das pedras cortadas e assentadas dando forma a casas e prédios e, principalmente, das pessoas com suas ideias em infinitas interações nas casas, nas ruas, nas praças e mercados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E os parques? Eles fazem parte das cidades bem-sucedidas, de um urbanismo que começamos a resgatar do intervencionismo do século 20. Também acredito que exista, contido nos parques, de forma latente, um leque enorme de oportunidades, de possibilidades, de forças, para tornar as cidades mais humanas. É hora de um novo modelo de gestão de parques, de rever a relação da sociedade com seus espaços públicos, de uma maior sustentabilidade económica e social, menos dependente da intermediação governamental e dos recursos fiscais. É tempo de uma cidadania com menos direitos e mais feitos, com menos reclamação e mais ação e participação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também acredito em fazer o mundo melhor. No judaísmo existe um conceito – “Tikun a Olam”, arrumar o mundo. Segundo os rabinos, o mundo está incompleto, devemos terminar a obra. Aliás, como as cidades, que sempre serão obras incompletas. Há também um conceito da Grécia antiga, expresso no juramento dos efebos, onde eles recitavam – “&#8230;prometo deixar minha cidade melhor do que aquela que recebi”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São valores que abraço, não por obrigação, mas por opção. É o caminho que minha consciência individualista escolhe seguir e no qual eu sigo assobiando satisfeito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, qual a conclusão? Ora, nada mais satisfatório do que trabalhar com algo que você ama, ligado à sua cidade. Como poderia perder essa oportunidade? Nada mais cativante do que participar da discussão de um urbanismo de pessoas, das oportunidades dos parques e dos espaços públicos, dos valores éticos da cidade alta. Tudo isso é ainda mais gratificante por que me sinto pronto, com minha experiência de mercado imobiliário e de gestão de parques, para participar desse projeto fantástico, um trabalho impactante e significativo e ainda por cima, divertido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, por detrás da dita filantropia talvez exista sim algo mais. Talvez o fundamento de tudo não seja a virtude, mas o pecado &#8211;  o velho pecado do orgulho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou talvez, por trás de tudo, exista realmente uma motivação fundada no interesse próprio e no lucro. Um interesse por uma cidade humana, digna e livre e ainda alegre, melhor para viver e uma ambição desmedida pelo lucro, um lucro imaterial, rico de sonhos, de satisfação e de realizações, lucro para guardar não no cofre, mas na alma.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por uma Ética Urbana</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/por-uma-etica-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[Somos, cada vez mais, um mundo de cidades e o futuro da humanidade é urbano. &#160; Como uma reação às cidades distópicas da Revolução Industrial, no século XIX, embarcamos nas visões anti-urbanas e automobilísticas, da utopia modernista. Hoje, porém, revalorizamos as ruas, a densidade, as cidades. O inchaço urbano multiplica os desafios e o foco]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Somos, cada vez mais, um mundo de cidades e o futuro da humanidade é urbano.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma reação às cidades distópicas da Revolução Industrial, no século XIX, embarcamos nas visões anti-urbanas e automobilísticas, da utopia modernista. Hoje, porém, revalorizamos as ruas, a densidade, as cidades. O inchaço urbano multiplica os desafios e o foco atual é como fazer as cidades mais humanas neste futuro mais urbano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas quem faz as cidades? São quatro os atores, na minha ótica. O “Governo” que constrói a infraestrutura e os prédios públicos, faz e aplica as leis que regulam as cidades; a “Academia”, aí incluídos arquitetos, engenheiros, consultores e tantos outros, que propõe soluções e desenha a cidade. Já a “Sociedade Organizada”, cada vez mais, pressiona, exige, briga, e questiona tudo o que se faz; e finalmente os construtores, incorporadores e afins, que são aqueles que investem, vendem, constroem, e, acabaram conquistando a infeliz primazia na culpa pelas mazelas da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, somos todos responsáveis. Acusar os “Construtores”, de especuladores, que não atendem às necessidades da habitação, obcecados por lucro, é demagógico. Cadê os outros? O “Governo” tentando tutelar a todos, faz demais sem fazer nem suficiente nem certo; a “Academia” não encontra, em suas utopias, a saída para realidade e a “Sociedade Organizada” muitas vezes, não aceita no seu quintal o que exige para a cidade. A falta de habitação, o trânsito infernal, a insegurança, etc&#8230;.são problemas complexos que não merecem, além de tudo mais, ser vítimas da guerra entre “nós e eles”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">                        </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mercado imobiliário investe por resultados, busca seu interesse próprio, aliás, como qualquer pessoa. O interesse próprio é a essência do instinto de sobrevivência. O lucro e a propriedade privada são grandes motivadores, mas, os homens são multidimensionais, têm outras ambições, outros interesses além do econômico. Querer uma cidade melhor, para si e para todos, também é interesse próprio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos já acatamos a função social da propriedade, obedecemos às leis de uso do solo, as leis ambientais e todo emaranhado legal e normativo que rege, até as minúcias, a construção. O estado de direito é um pré-requisito básico para realização de qualquer negócio, imobiliário ou não, mas a ânsia regulatória da burocracia hipertrofiada sufoca muitas soluções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar da regulamentação excessiva e contraproducente, mais uma, talvez, seja necessária &#8211; uma auto-regulamentação, os “dez mandamentos”, um “juramento de Hipócrates”, enfim uma ética urbana, regrando o comportamento dos agentes do mercado imobiliário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na ética judaico-cristã, a regra de ouro é &#8220;Não faça aos outros o que não quer que seja feito a você”. O princípio da ética urbana poderia ser “Não faça da cidade um lugar onde você, e todos demais,  não gostaria de viver”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quais seriam estas regras? Uma seria olhar além das divisas do terreno, pensar no contexto urbano. Outras? Preservar o espaço público. Nem todo terreno pede um projeto imobiliário. Nem todo bom  negócio é bom para cidade, que tem tantas outras dimensões a preservar &#8211; a paisagem, a cultura, a história, os espaços públicos e a urbanidade.  Precisamos explicitar quais seriam as regras de uma Ética Urbana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não será um mero “construtor de apartamentos” que resolverá os gigantes problemas da cidade. Isso é dever de todos e não pode recair sobre os ombros de uns poucos. Para avançar nessa discussão, precisamos todos agir, rever posições, buscar convergências, abrir horizontes. Para os “construtores”, minha proposta é que se defina, em termos claros, qual é o seu compromisso com “uma cidade melhor”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num cenário de litígios crescentes, insegurança jurídica e aumento do envolvimento da sociedade na aprovação dos projetos (inclusive na fase pós-aprovado), é premente um posicionamento claro e transparente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A discussão sobre o futuro das cidades não pode prescindir do governo, da academia ou da sociedade organizada, óbvio. Mas também não pode prescindir dos “construtores”, do “mercado”, por todo seu envolvimento direto na construção de habitações e nas transformações da cidade, por seu foco na realidade concreta. Mas para que o setor tenha credibilidade na defesa de seus pontos de vista, para que consiga se fazer ouvir nesta discussão, é preciso falar sobre muito mais do que geração de emprego e crescimento econômico, precisamos falar mais do que apenas da realidade concreta, econômica. Precisamos falar, e em voz alta, dos valores éticos que defendemos e o que almejamos para nossa cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um enunciado formal, uma definição clara do que compõe uma </span><b>Ética Urbana</b><span style="font-weight: 400;"> proposta pelo mercado imobiliário nos ajudará a defender a cidade que desejamos, a estabelecer critérios objetivos para sermos julgados e, por fim, irá nos credenciar como interlocutores essenciais nessa discussão sobre o futuro das cidades.</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os Muros</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/os-muros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:33:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[Muito antes de amar as cidades, eu já odiava os muros. Eu já atuava no mercado imobiliário, ainda nem sabia o que era  urbanismo, e eu já odiava os muros. Odiar tijolos é estranho, ainda mais esse tipo de ódio que não se abate com o tempo, um ódio visceral aos malditos muros. Eu mesmo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Muito antes de amar as cidades, eu já odiava os muros. Eu já atuava no mercado imobiliário, ainda nem sabia o que era  urbanismo, e eu já odiava os muros. Odiar tijolos é estranho, ainda mais esse tipo de ódio que não se abate com o tempo, um ódio visceral aos malditos muros. Eu mesmo chego a me perguntar por que, afinal, tanto ódio? Os muros dividem e destroem nossas cidades, estrangulam o espaço público, matam a vida das ruas, a conectividade e roubam a urbanidade das cidades.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pior ainda, o muro sequestra nossa perspectiva. Existem espaços que não entramos com nossas pernas, mas com nossos olhos. O muro cega a perspectiva e no mesmo ato perverso, mata a segurança.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O maldito muro destrói sem parar. Não só cerceia o acesso e a perspectiva, reduz a segurança, como também imobiliza a cidade. Cidades andam na direção ao futuro, mas muros bloqueiam o caminho destruindo a vitalidade das cidades pois sem movimento não há adaptação em um mundo em constante mutação.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Na Idade Média, a vida era barata, com riscos até por sair à rua à noite. Viajar era uma aventura perigosa; cidades eram frequentemente saqueadas e por isso eram muradas. Mas aqueles muros ficaram obsoletos, primeiro pelas balas de canhão, logo a seguir, por uma maior civilidade em nossa sociedade. Os muros perderam a razão de ser e, hoje, não existem mais cidades muradas. O mundo evoluiu e  preferimos comerciar à saquear, trocar produtos, serviços e conhecimentos, em vez de guerrear, interagimos e nos relacionamos. Assim evoluiu o mundo, mas não aqui onde voltamos a construir muros, não em volta das cidades, mas em volta das casas e dos prédios. Aparentemente, ficamos para trás, sem evoluir.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Existem outros tipos de muros, uns transparentes, de vidro, fingindo que nem são muros, outros, mais enganadores são completamente invisíveis. São muros feitos de placas que gritam &#8211; “não entre” ou com olhares de truculência, de um cão bravo, nos dizem &#8211; “Não pode”. Existem muros disfarçados de ecológicos, chamados de cercas vivas, e existem muros imateriais que mesmo sem nenhum tijolo, te esmagam com constrangimento, humilhação, ignorância e exclusão. Existem muros da inveja e do ressentimento, do sectarismo e da ideologia, muros sem pedras, feitos de ideias mais duras ainda. E outros muros também invisíveis que criam divisões muito presentes apesar de ocultos – das classes, das raças, das religiões. Muros etéreos, imperceptíveis, e mesmo assim, gigantes, sufocantes, repugnantes. Muros sem tijolo nem cimento, construídos por mentes vazias sem pensamento, que te escravizam sem correntes, que te aprisionam sem chance de fuga e que te matam sem você perceber que já estava sem vida, emparedado por eras sem tempo. Este é o supremo muro cego, que te oculta a sua própria existência. Acho que foi por causa desses muros que tanto odiei todos outros muros. </span></i></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Morrendo de Medo</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/morrendo-de-medo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:31:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
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					<description><![CDATA[O mais urbano em uma cidade são os espaços públicos qualificados, agradáveis e, principalmente,  seguros.  &#160; A essência do espaço público é a rua, e rua que dá medo é rua que não dá. O medo tem sido uma doença desfigurativa no desenho das nossas cidades, um garrote asfixiando os espaços públicos, uma um assassino em série matando]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O mais urbano em uma cidade são os espaços públicos qualificados, agradáveis e, principalmente,  seguros. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência do espaço público é a rua, e rua que dá medo é rua que não dá. O medo tem sido uma doença desfigurativa no desenho das nossas cidades, um garrote asfixiando os espaços públicos, uma um assassino em série matando as possibilidades. O medo ergue muros, tranca portas e aprisiona os homens de bem. Crianças não brincam na rua, vizinhos não conversam nas calçadas, namorados não se beijam nos portões e comerciantes não abrem suas portas. As calçadas vazias sem “flâneurs” nem pedestres apressados, sem crianças correndo nem velhos lentos, sentados calados em suas lembranças, sem ninguém mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cidade morre de medo, com medo de morrer. A rua, assaltada, espancada e violentada, perde o caminho e vira passagem. Os bandidos levaram tudo: o passeio, a civilidade e a perspectiva urbana. E a rua ficou lá, estendida, sem que ninguém parasse para salvá-la, todos apressados em chegar logo a segurança murada de suas prisões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Medo não protege, medo mata. Se o crime mata o cidadão, o medo mata a urbanidade, esgarça o tecido urbano, destroça a cidade. Os muros não são frutos da segregação de alguns, são o medo de todos. E mesmo que o medo seja irreal, exagerado e neurótico, é sempre um medo paralisante, como revólver apontado ao coração de um pai de família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coragem é virtude dos homens, não das cidades. Estas precisam ser, e parecer ser, seguras. A pergunta que fica é como fazê-las seguras. Com a resposta, posso falar sem medo, que então faremos cidades para pessoas. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Claustrofobia</title>
		<link>https://www.birmann.com.br/claustrofobia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 16:25:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.birmann.com.br/?p=7630</guid>

					<description><![CDATA[Tenho claustrofobia pelos muros que sufocam e estrangulam nossas cidades ao emparedar praças, ruas e casas. &#160; Tenho claustrofobia pelas muralhas das prisões indignas até para bandidos, mesmo pelas prisões sem muros, onde não que passam nem ideias, nem esperanças. &#160; Tenho claustrofobia que vem da escuridão sem saída, da escravidão das ideias medíocres, das]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho claustrofobia pelos muros que sufocam e estrangulam nossas cidades ao emparedar praças, ruas e casas.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho claustrofobia pelas muralhas das prisões indignas até para bandidos, mesmo pelas prisões sem muros, onde não que passam nem ideias, nem esperanças.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho claustrofobia que vem da escuridão sem saída, da escravidão das ideias medíocres, das ideias carentes de criatividade, da vida moribunda pela falta da liberdade.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho claustrofobia pelos tacanhos de coração atrofiado que transbordam certezas e pelos ressentidos que se afogam na bílis de sua inveja.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho claustrofobia pelos covardes se aceitam os muros que os bloqueiam pois preferem a segurança da rendição ao risco da luta</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tenho tanta claustrofobia que meu maior pesadelo é ser acorrentado e soterrado vivo sob a lama da submissão, mesquinharia e covardia  sem poder esticar minhas mãos para esgoelar todos esses desgraçados.</span></i></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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